Certamente é importante notar que...,

Certamente é importante notar que...

Por: Professor José Manuel Pereira

 

 

Ao longo dos últimos 50 anos de democracia em Portugal se promoveram avanços significativos, no âmbito da inclusão na educação.

 

Com o acesso universal à educação, com a consolidação da democracia, houve desde logo um compromisso para reduzir as disparidades no acesso à escolarização. Isto permitiu que, um número maior de pessoas independentemente das suas origens socioeconómicas, tivessem a oportunidade de frequentar a escola.

 

Nas últimas décadas o paradigma da educação inclusiva evoluiu. Este visa, atualmente, garantir que estudantes com diferentes necessidades e habilidades tenham a oportunidade de aprender juntos. Neste âmbito foram feitos esforços, bastante significativos, para integrar alunos com deficiência nas escolas regulares e para promover ambientes mais diversificados e enriquecedores. A própria legislação passou a incorporar políticas específicas voltadas para a inclusão educacional. E essas visaram criar ambientes que apoiam a diversidade e oferecem suporte adicional a alunos com necessidades específicas promovendo, assim, a igualdade de oportunidades.

 

Também neste domínio, a formação de professores tornou-se uma área de intervenção, com programas de capacitação para lidar com a diversidade em sala de aula. Isso incluiu não só formação para atender às necessidades educacionais específicas, mas também para promover abordagens mais inclusivas no processo de ensino.

 

Outro aspeto, não menos importante, está relacionado com a consciencialização da sociedade para a importância da inclusão na educação. E aqui os movimentos de conscientização foram essenciais para sensibilizar a comunidade educativa e a sociedade em geral sobre a necessidade de promover ambientes educacionais que respeitem e valorizem a diversidade.

 

Contudo, apesar destes avanços, é sempre importante reconhecer que os desafios persistem e que a jornada rumo à inclusão completa, é contínua. Uma reflexão sobre o que foi alcançado nos últimos 50 anos, também, deve servir como motor para continuar a melhorar e a inovar nas políticas e práticas educativas, garantindo que cada aluno tenha oportunidades iguais e equitativas para aprender e prosperar. Fruto desta constatação, há ainda desafios a enfrentar e ações a desenvolver, para continuar a inclusão na educação, em Portugal.

 

É crucial continuar a desenvolver práticas pedagógicas e estratégias que promovam efetivamente a inclusão de todos os alunos, independentemente de suas características e necessidades. A saber: adaptação de currículos e métodos de avaliação inovadores e diversificados; investir em infraestruturas escolares adequadas para alunos com diferentes habilidades; formação contínua para professores, com o objetivo de capacitá-los para práticas pedagógicas inclusivas, métodos de ensino diferenciados e estratégias inovadoras; oferecer suporte multidisciplinar nas escolas: psicólogo, terapeutas...; continuar a incentivar o envolvimento da comunidade escolar e local, através de workshops educativos, para pais  e Encarregados de Educação e  promover a colaboração com as organizações locais, no sentido de apoiarem iniciativas inclusivas; investir em pesquisa e inovação na área da inclusão educativa, envolvendo instituições de ensino, organizações governamentais e a sociedade civil; implementar medidas eficazes para combater o bullying e a discriminação; continuar a criar uma cultura de escola, que promova o respeito mútuo e a aceitação da diversidade.

 

Por último, certamente já muito foi feito neste 50 anos de democracia, mas é primordial continuar. A inclusão na educação é um processo contínuo, que exige esforços coordenados de diferentes setores da sociedade, para garantir que todos os alunos tenham oportunidades iguais de aprendizagem e de desenvolvimento.

José Manuel Pereira